Arquivo da categoria: Sonetos
Soneto a lua
Por que choras, na noite fria e tão escura
A procurar, insistente em cada canto
Vasculha a terra, e essa cobre com seu manto
Tornando-a sua, iluminada e assim pura
Qual paixão, que te faz tão dependente?
Logo tu, que és rainha e utopia
Tem-se a alma, dessa tal que te copia
E é verdade, desse tal que aqui não mente.
Fazem-te versos, e nele tu só brilhas
Reflete o amor, desses tantos aqui poetas
Que te tomam cada qual como sua.
Não derrame uma lagrima sequer
És mulher, nas almas puras e inquietas
Desses tantos, que te querem assim só lua.
Despertai!

Que rasgue, as vestes de seda
Se entregue, ao deslizar das mãos
o corpo se esfrega na sede
Dos murmúrios incontidos então.
Arqueia o peito, ruma a boca
Que busca, leve e afiada
Mordiscar e sorver como louca
seio, ventre e corpo da amada
Enroscas tronco e pernas,
No ouvido, gemidos e juras
Cadencias despertas e eternas.
É rede, tua língua que invade,
Boca, pescoço e colo,
Esvaindo-se a noite, e o sono que nos cabe.
Compartilhar
De ti compartilho corpo e mente
No frio intenso ou no calor praiano
Deslizo em cada linha, paralelos medianos
Ensaiando um balé no corpo quente
Crispas mãos, retesa o corpo que assanha
Encoberto com névoas de suor ardente
Lua encoberta, no mar que te banha
Misto das sensações que ali se sente
Cubro-te com toda parte de mim
Acolhendo como parte de um só
Condensado em dobras de cetim
Flamas de dedos enlaçados de desejo…
Rompendo o silencio num sussurro…
Unindo as bocas, como rosa num beijo…
Adorno
Desfaço laços de presente que me ofertas
Como quem recebe mimos, em criança
A mente tal qual janelas entreabertas
Como que desperta de sonhos e lembranças
Olhos atentos a dobras de papel
Com gestos lentos a se perpetuar
Tal qual como pluma e cair do mel
Ante a alegria a despertar
Pequenina lembrança que se viu
Adorno de Princesa me destes
Na veste que o colo te cobriu
Olho a noite, como manto de um mago
Fecho o olho e desfaleço nas lembranças
Que dá em mim tal adorno, que durmo em seu afago.
Jardim Secreto
Detrás de cortinas de ferro enferrujadas
No cadeado que pendes em ti.
Oculta, inerte e lúgubre mistério
Delas que secam e morrem caladas
Não quis o sol, esse, um Deus
Que entre os galhos retorcidos
Como diamantes que a luz ilumina,
Levou calor aos brotos, que tomou como seus.
Canteiros de vidas, flores divinas
Onde brota a vida ignorando-te
Sob mantos de lágrimas decerto
Nesse seu jardim que tornou secreto.
