Arquivo da categoria: Poemas
Até onde vai seu caminhar?
mesmo que sua janela dê para a parede,
feche os olhos e esteja lá.
Veja as nuvens que se movem, tome carona e se vá,
não se importe com a volta,
talvez carona não haja.
Faça uma balsa nova,
se a sua já não te cabe,
deixe troncos velhos e quebrados,
coloque novos no lugar,
troque as cordas das amarras
jogue fora a roupa velha
e recomece a paginar.
Pense alto e nunca tema
o que podes alcançar,
se o horizonte é caminho é
onde deve começar,
se pensas grande, sê grande,
se pequeno será.
Essência da utopia
Vivo a essência mágica
que emana do teu olhar,
no compasso de seu
coração e no riso
que é som que me embala.
Sinto o calor que emana
de teu corpo na eletricidade
dos teus carinhos,
marca-passos de meus desejos.
Amo-te na noite inquieta,
no silencio ensurdecedor
que a poesia alcança
e no abraço que a saudade aponta.
Sonho a presença eterna
que a essência desperta,
nos lençóis emaranhados
e na lua nua de poeta.
Paixão e gozo!
Cobra-me dizimo a fim de lembrar
quem afinal ali está em algum lugar.
Como pedra na janela a fim de acordar
auxilio para mente adormecida
que sacia-se e não paga
e quer outro gozo,
entre botões, se esquece a cor da tez
e se confunde pela centésima vez.
Eis-me aqui,
sentado e aliciando-a
entre dedos libidinosos,
tentando encontrar o ponto gê,
na linha certa que será,
o orgasmo louco literário
dessa enamorada secular.
Candelabros
A noite é de velas, que ilumina o espaço, a mesma que ilumina o caminho, enfeita a mesa e acende a alma, e outras idéias. Tremulando na sombra e imaginário acaricia as formas que sobre os lençóis se encontram, traçando linhas nos corpos unidos. Essa é a luz que vela o sono dos amantes, que veste o manto que nos carrega rumo a fantasia que nos torna unidos, como a chama que aquece a alma e corpos nus, que arranha a carne que se entrega e amacia, antes dos beijos apaixonados e o que ainda tenha por vir.
Mesa que sorve as delicia que se transportam e tomam imaginário, que mordisca a orelha e deixa tesa a paixão ardente do corpo quente.
Doce alegria, que se perpetua, instantes que se intensificam na pele nua, como enfeites que se entrelaçam no candelabro que apóia a vela que nos faz guiar, nas formas claras do amor.
Jo@lves
Sombra na janela
Cá estou a te fitar,
Na janela aberta ao luar
Que me mira e me tira,
O sono que tenho de estar
Há de te ver, sombra
Na janela que te reflete
Na figura que a mente molda
O corpo desnudo que remete
Não tem nome o semblante
Ao qual vejo de relance
Entre frestas bruxuleantes
Cujas mãos, fora de meu alcance
Durmo o sonho perturbado
Em descobrir quem tu és
No pecado oculto do outro lado
Absorto na soleira debruçado.
Soneto a lua
Por que choras, na noite fria e tão escura
A procurar, insistente em cada canto
Vasculha a terra, e essa cobre com seu manto
Tornando-a sua, iluminada e assim pura
Qual paixão, que te faz tão dependente?
Logo tu, que és rainha e utopia
Tem-se a alma, dessa tal que te copia
E é verdade, desse tal que aqui não mente.
Fazem-te versos, e nele tu só brilhas
Reflete o amor, desses tantos aqui poetas
Que te tomam cada qual como sua.
Não derrame uma lagrima sequer
És mulher, nas almas puras e inquietas
Desses tantos, que te querem assim só lua.
Lua nua

Tu, que serás lua
Lua que serás tua
Sua, que serás sempre
No céu onde flutua, minha
Prosa, que serás tua
Versos, que já são, seus
Desejo e saudades
De beijos vários, meu
Lua que és, bela
Bela que és, Lua
Corpo que em minhas mãos flutuam
No colo que beijo, nua.
Despertai!

Que rasgue, as vestes de seda
Se entregue, ao deslizar das mãos
o corpo se esfrega na sede
Dos murmúrios incontidos então.
Arqueia o peito, ruma a boca
Que busca, leve e afiada
Mordiscar e sorver como louca
seio, ventre e corpo da amada
Enroscas tronco e pernas,
No ouvido, gemidos e juras
Cadencias despertas e eternas.
É rede, tua língua que invade,
Boca, pescoço e colo,
Esvaindo-se a noite, e o sono que nos cabe.
O amanhecer
Eu me esqueci no amanhecer
Deixei vento de outono, me carregar.
Não pedi rumo, me encolhi,
Mas sabia no fundo, onde me levaria
Esse malvado, cúmplice de seu amar.
Abri os olhos e ainda estava lá, no amanhecer do meu existir,
Calado, perdido e parado,
Olhando as árvores que nas janelas passam,
No olhar perdido do amanhecer.
Natalinos
Sobre o guarda-roupa está a árvore
Que todo ano se desenrola
Com bolas de vidros coloridos
Torcendo para não quebrar
Todos os anos assim
Nossas lembranças recontadas
Soluções esperançadas
Com mãos e corações abertos
A receber no peito livre
A canção da noite estrelada.
Nos olhos lágrimas inquietas
Braços longos a abraçar
Na janela preenchendo meias lembranças
Verdades de um adulto
Ou simples sonhos de crianças
A noite é bela e de canções
Há quem guarde a noite em silencio
Pois noite é de vida e de morte
Que nos leva a momentos
Como uma árvore a desembrulhar
Quer seja festa e poesia
Quer sejam recordações de outros tempos
Remontando décadas a fio
Sempre a espera do dia
Do nosso verdadeiro nascimento.

