Vara de condão
Já é um novo dia após a meia noite e um, o minuto se estende pelos quatro cantos do mundo transformado, não pelo meridiano que se encontra, mas pela mágica transformadora que o torna especial, único e absoluto.
E na mágica metafísica, o ontem ficou para trás, atomizado e diferente, pesando a balança, diferente e confiante subindo o degrau.
E acompanhando a roda, vamos com ele no minuto seguinte, modificados pela intensa mudança que nos é imposta e postos a prova do que realmente vale a pena mudar. E cada dia nunca é igual ao outro, tocado pela mágica transformadora do tempo, pela química inconfundível do universo, que nos faz única, em gênero e grau.
E no grau que nos transforma, continuamos na ebulição que move a nós simples mortais pela eternidade de nossos atos, pela determinação de nossa confiança a sermos a cada dia melhores e diferentes a cada virada do minuto após a meia noite.
Nessa sexta mágica e de energia, sorva o calor, estique o peito e deixe que o toque mágico lhe chegue, e sinta a transformação a cada minuto, do que te leva a realizar atos nesse imenso labirinto mágico ao que te remodela com o seu verdadeiro eu interior e não quebra o encanto no minuto seguinte como um sapato de cristal.
Madeira de lei
Na porta que fecha a casa, na mesma que encerra o mal, a mesma que abre para rezar e mesma que abre o bar. A tal que de mim despede-se e acolhe no anoitecer, todas feitas de madeira, tábua corrida. Pau.
Nessa labuta diária, firmo a madeira que sustenta o tronco e faço fé na envergadura. Empresto a força e forma mesmo deixando algumas lascas pelo caminho e tendo fé que algo fique para o final.
Nesses dias de luta e decisões, encantos e desencantos, vislumbro a madeira firme que nos sustenta, erguida sob sol e chuva e encerada no suor que umedece a face, mas não desmorona a fé, e ao mesmo tempo é sinônimo de esperança nos frutos que ainda há de vir.
Nesse dia, onde o vento brando tentar vergar a resistência coloque-se firme e pregue o ultimo prego na madeira que te transforma em nau intrépida, que iniciou na segunda como um pequeno barco e termina como galeão indestrutível.
Erga a vela que te leva pelos mares espumantes, e sob a mesa de madeira, bata firme o punho e teste a resistência. E por instantes sinta o vento leve e sorria a semana finda, as lascas se agrupam e viram compensado, compensando o dia, transformado, mas continuando madeira, madeira do mesmo pau. De lei!
Ave Marias!
Na lembrança ainda o cheiro que leva gosto de baunilha, coco, mel e chocolate ou brigadeiro de colher, a mesma de pau que embala o bolo de ingredientes que polvilham a cachola infantil na mente semiadormecida de adulto.
E na mesma lembrança, sinto na face o afago mágico e curador, o beijo balsâmico que a ciência não explica, onisciente parcela materna. Cujo perfume é único e cuja existência imprescindível.
E são Marias e Franciscas, Aparecidas e anônimas, no universo que nosso despertar nos embala, carregado de lembranças boas à figura que é recheio na massa, cobertura da existência e de ingredientes indispensável na vida.
A prosa vira poesia e tece rimas onde não ha o que rimar, onde a essência que é nossa existência torna-se pura origem maternal e no final estamos lá, homens e mulheres feitos transformados em eternas crianças na visão eterna dessas Marias, mães, mulheres de fibra, esposas, no ofício mater, onde rendemos homenagens mil.
Ave Marias. Ave Mães! Ave!
Riscos e Rabiscos
Riscos e Rabiscos
O céu é uma mistura de riscos e rabiscos. Gaivotas que dançam entre a chuva que chora o sol que lhe fustiga e brinda com um arco-íris colorido, cujo final somos nós no pote de ouro que dentro do peito alguns trazem faceiros, e outros procurando ainda a verdadeira riqueza. Mas todos cônscios que ela existe, onde quer que esteja.
E nos riscos de idas e vindas, traço o pequenino instante e deixo soltos os dedos que deslizam nas teclas negras do notebook e traçam emaranhadas linhas que no final se encontram no risco deslizante das letras e viram sopas cujo sabor do mesmo instante que as coze pode ser a delicia de sorvê-las. Mesmo sem acompanhamento.
E no deslizante bailar, encontra-me cercado da energia pulsante que ecoa em todos os cantos e em cânticos baila em meus ouvidos na voz aveludada de Bocelli que me trás um pedaço de lembrança e me transporto no final do minuto para todo o canto do horizonte, numa explosão de pensamentos.
Nessa sexta de amontoados sentimentos, ruas molhadas, roupas úmidas, lágrimas no colorido arco que brinda o inicio do dia, enfuno o peito como vela áurea e me embalo no sabor da maré, que nos transforma em gaivotas deslizantes cuja felicidade é o conteúdo do pote, que se não está repleto o terá até o final do dia, isso é um risco.
Areia da fina!
O vento sopra ondas balançantes, que desfilam escarpadas como pelo encarneirado no oceano do amanhecer e areia nas pequenas dunas que se transformam, levando para lá e cá, e no final ainda é areia, da fina ou da grossa, ela ainda está lá, sendo duna.
E na mistura mutante, a areia também toma forma, do escorrer dos dedos ao chão que piso, no alicerce que fomenta a criação, ao pequeno cisco que incomoda e sai no assopro lacrimoso.
E assim levados pelas variáveis transformações, vemos também o dia que mistura e se funde no concreto armado ao pó dos sapatos retirado pelo engraxate ajoelhado, cujo dia esquecido também existe.
Somos tal areia fina, nascemos no ínfimo grão e transformamos ao longo dos anos no alicerce que moldamos e tal qual o fino também há um vento que nos leve e na contramão da crônica, assumimos o leme e decidimos onde fixar.
Que hoje, na inevitável sexta, possamos reafirmar nosso assento e emparedarmos no alicerce que nos merece e nos funde, pois a vida, tal qual vento oceânico continua a soprar até que a mistura esteja completa, e veremos que no piso que nos sustenta, a nós mesmos. Mas seja quando for ou como for, ainda seremos lá no fundo sempre o mesmo pequenino grão de areia.
Bons ventos na sexta fina, no quinto dia do vento nórdico.
Do outro lado da rua
Acenou com alegria, como adolescente deslumbrado ou amante apaixonado, sem vergonha de se expor. Como se existisse apenas o lá e cá, não importando mais nada, apenas a distancia que se diminuiu até que estivesse bem perto. E pude ver o meu reflexo na própria retina esbugalhada que colava o vidro e descobri-me escancarado nos dois lados.
A mão balança no ar, na cadencia diária aonde o ir e vir é como esperança no outro lado da rua, com as vias a atravessar e semáforos que nos conduzem a lugar comum e nas voltas que a estrada dá, acabamos de frente ao espelho de nossa retina, visualizando o eu presente e apaixonado.
O dia é minuto ininterrupto, no instante que decidimos atravessar ou não a rua que nos leva a lugares inimagináveis e que apaixonados, estamos dispostos a atravessar, sem medo, sem pressa. Na determinação que nos conduz a horizontes quiçá inalcançáveis para uns e logo ali para outros.
Que hoje, você levante a cabeça e interprete os sinais, verde, amarelo ou vermelho ou da cor que te apeteça, e atravesse, sem se preocupar com o que tenha do outro lado. Se desafios, que venham, se alegrias, só descobrirá depois que atravessar a rua.
E no ultimo segundo se sentirá extasiado em descobrir que as avenidas se apresentam pequenas depois de transpassadas e que os sinais, esses sempre estão verdes para os que brindam a felicidade como parte integrante do desafio e que o dia esse é Baluarte do verdadeiro espelho cujo reflexo te olha de volta sorrindo.
Uma questão de sorte?
O pulso ainda pulsa após o anoitecer e na aurora esmaecida ardem labaredas colossais que aquecem com o sol a terra onde piso e faz brotar os pensamentos como girassóis amarelos, tudo assim na pura questão atirando a moeda e não importando se cara ou coroa.
Com tudo isso, paro no minuto existencial e baixo o prumo, envergo a coluna e deixo a sorte guiar meu passos ao vasto horizonte de números que se apresentam. E para coroar a mesma não deixo ao léu a centelha e assopro o fogo, pois a sorte aleatória bate lá e cá e onde cai não é precisa e não podemos deixar em suas costas a responsabilidade para acender sozinha essa pira.
Não saco obsoletos amuletos, busco o amanha deixando na manga e ao meu dispor o que me é mais caro e traço linhas paralelas nos inúmeros variáveis, pois nunca cai o seis no carrilhão de oportunidades. E se existe carta marcada, vasculho os bolsos e vejo os números que me colocam de volta ao jogo e viro a banca.
Hoje, no fim da semana faça suas contas e some os números. A sorte é o amanhecer que pulsa, no ritmo acelerado, cardíaco e compassado. A vida não se apresenta uma questão de sorte, mas de fôlego e na corrida do zigoto fostes tu o vencedor.
Na sexta treze, faça sua aposta e a converta na oportunidade que sua filosofia lhe permite, meça as chances e se encarregue de transforma-la em pura sorte, mesmo que não acredite, pois ela é supersticiosa, pois sois números e basta apenas ela saber o seu.
Um certo ponto da estrada
Que saudade do meu caminhar. Na estrada de poeira, na beira do Paraíba, vendo pau de embaúba vergando no vento de inverno, cobrindo o rosto da poeira que apaga o rasto de passos meus.
A estrada deserta tem o horizonte descoberto. Nas costas apenas a mochila merendeira, na cinta a atiradeira disfarçada nos idos da meninice que sei que não voltam mais.
Hoje, vejo a rua asfaltada, os carros na buzinação, os gritos desesperados, a sinfonia da cidade que amanhece frenética e elétrica. No bolso o ticket carregado, o VT do único a espera de tal Bus que não chega, pois a greve o alcançou.
Olhos os dois horizontes e meço as diferenças, palpáveis na lembrança risonha, e barulhenta no dia que começa no deserto asfalto, que o progresso engoliu. Contudo sorrio poético na sexta-feira envergada nas costas e carrego os minutos como se fossem eternamente meus.
Que hoje as saudades dos passos dados sejam referencias. Que saibas que a caminhada não termina nunca, pois a realidade nos acolhe e nem sempre diz o que vem pela frente e o horizonte, ele é ponto itinerante e não levanta o braço para que você pare. Pois há muitos que precisam que chegue para poder te seguir.
Contrato do amanhecer.
No primeiro minuto da reafirmação de minha existência, resolvi reler minhas condições de contrato. E não tinha letras pequeninas, mas nítidas no capitulo único. Clausula simples. E nessa releitura uma rubrica no canto decifrável era minha, perto da principal clausula visionaria Cada amanhecer será único, Viva!
Hoje, no minuto seguinte, dou razão à poesia do minuto e teço a teia que me enreda nesse contrato. Não faço planos para um amanha, pois afinal ele é meu hoje e desse procuro alicerces que o deixe prumo, havendo o amanha ele estará lá ou aqui amarrado, rabiscado e assinado.
Nas linhas da sua assinatura, não deixe duvidas do que é, não deixe de se dar o mérito, se é quem pode ser. Pois assim será e isso tem que estar incrustado no peito que envolve o invólucro de carne e nervos, e que desperta nos dias de sua vida no uníssono som.
Veja o amanha, de pé no seu hoje, chegue na frente, na sensibilidade da sua visão e reafirme o contrato, limpo e claro. Afinal a incerteza existe e a essa apenas a duvida é co irmã.
E no minuto final de seu dia, feche os olhos sereno e repouse feliz sobre o contrato que se renovara automático no próximo amanhecer. E se ele vier é porque cumpriu certinhas as regras a que ele foi proposto e a você preposto, cabe à tarefa de aproveitar a chance novamente.
Aqui fecho a rubrica, no final do minuto, no inicio da existência dessa sexta que me adula no inicio do fim do dia.
O dia 8 no meu calendário
O dia amanheceu com uma marcação na folhinha, cinza, pois não era feriado, descaracterizado, pois não ficaria em casa e quase sem importância, pois era uma quinta e a semana estaria findando-se no dia seguinte. Então relembrei a data e o oito de março acendeu como um brilho que iluminou a lembrança. Que dia para lembrar, que data para comemorar. Lembrei-me dos beijos e carinhos, da paixão sem limites do carinho materno e da afeição que a lembrança me trouxe e do perfume que veio do closet e que remexeu meus sentidos e da luta guerreira do dia a dia.
Hoje, que os homens sintam o perfume sem ser primavera, que levantem as mãos e desçam no afago, que a boca se abra e teça elogios e beijos, que apertem forte contra o peito e sinta em cada batida descompassada o frágil amor dessas guerreiras. Que as flores estejam em jarros, que os olhos estejam brilhantes de felicidade.
Amanha vou me lembrar de circular para o próximo ano em vermelho no calendário, não em cinza desbotado essa data especial.
A todas as mulheres, o meu lembrete em negrito e CAIXA ALTA em sonoro e bom som, a poesia de linhas flutuantes na emoção do dia, o lembrete do poeta. Feliz oito de marco, Feliz dia Internacional das mulheres o dia marcado no coração e no calendário das lembranças, como o dia em que rendemos homenagens a essas, amigas, companheiras, amantes, esposas, filhas, mães, avós, tias,… Mulheres!
