A semana é maré de sizígia do mirante ponto alto, no incrível mar, cuja beleza transmuta a cor bronze no Rio, onde quarenta graus é mar e as ondas dão o tom no verde esmeralda, na fina areia do Leblon.
Na vidraça transparente da retina, há o céu com navios de penas, que surfam ondas imaginárias, no balé da paisagem misturado no azul, que cora a semana veloz e turbulenta, nas noticias tal ondas no mesmo mar que desponto.
O tom que o dia leva, na alquimia das letras, química que transborda no traçado que nos faz mosaico, torcendo para que a maré não suba. Tiro as sandálias e sinto a areia, nos grãos pegajosos que invadem os dedos e grudam no suor que escorre o corpo mortal no calçadão.
Termômetros no dia que se faz grau, aquecendo a alma na alquimia da esperança, traçando o rumo que condensa no fino papel que nos embrulha e presenteia ao amanhecer, na nuance do embalar no mesmo mar, dia a dia, surfando.
Desembale sua prancha, o sol lá fora está a pino e nos convida a mergulhar, refrescando a alma, deixando fluir, navegando, no mesmo mar que se embala e baila a semana que se esvai, como areia fina por entre os dedos, como ampulheta que desponta e nos convida a recomeçar.
Se o dia é mar, a noite há de serem estrelas, na mesma pressão, sentindo quiçá a brisa, que esquece a semana e deixa quente a outra porção, na ardente paixão de estarmos vivos.
Escrito por joseli@lves 

