Ondas no mar do Leblon

fevereiro 4, 2010

A semana é maré de sizígia do mirante ponto alto, no incrível mar, cuja beleza transmuta a cor bronze no Rio, onde quarenta graus é mar e as ondas dão o tom no verde esmeralda, na fina areia do Leblon.

Na vidraça transparente da retina, há o céu com navios de penas, que surfam ondas imaginárias, no balé da paisagem misturado no azul, que cora a semana veloz e turbulenta, nas noticias tal ondas no mesmo mar que desponto.

O tom que o dia leva, na alquimia das letras, química que transborda no traçado que nos faz mosaico, torcendo para que a maré não suba. Tiro as sandálias e sinto a areia, nos grãos pegajosos que invadem os dedos e grudam no suor que escorre o corpo mortal no calçadão.

Termômetros no dia que se faz grau, aquecendo a alma na alquimia da esperança, traçando o rumo que condensa no fino papel que nos embrulha e presenteia ao amanhecer, na nuance do embalar no mesmo mar, dia a dia, surfando.

Desembale sua prancha, o sol lá fora está a pino e nos convida a mergulhar, refrescando a alma, deixando fluir, navegando, no mesmo mar que se embala e baila a semana que se esvai, como areia fina por entre os dedos, como ampulheta que desponta e nos convida a recomeçar.

Se o dia é mar, a noite há de serem estrelas, na mesma pressão, sentindo quiçá a brisa, que esquece a semana e deixa quente a outra porção, na ardente paixão de estarmos vivos.


Monolítico

janeiro 29, 2010

Rupestre são os traços que desenham os dias, na perfeição rebuscada que nos propomos a realizar. Imponente cadeia que nos torna humanos, na forma que nos cria e remonta, desde a pedra fundamental.

A semana começa na fogueira que se atiça, colhendo nos dias o que a alimenta, para manter a faísca que atiça a brasa, que fundirá o ferro que fará o verdadeiro molde monolítico.

Nesses a brasa não é fogo fátuo, e a forquilha que o atiça é continua para que não o apague nos incontáveis assopros que possam se tiver por aí.

As cavernas são de aço e a fumaça que sobe ao céu outrora azul, não é mogno ou cerejeira, a embalar um ritual xamanismo, mas no fundo arranham preces no viaduto que ao fundo se funde de fuligem.

Avisto a semana, no calendário que ainda cheira a tinta e nos transporta, no portal que nos leva até uma Pandora, onde nos remonta ao tempo que as pinturas desenhavam um algo mais no corpo e na alma.

Ainda assim, eleve a um minuto que o tempo dá, transforme o instante que te faz Humano e vá, abra os olhos e se imagine sol, há de iluminar o dia que rompe sem trégua, alheio a nós que ainda nos imaginamos Oniscientes e tentamos quebrar a fina barreira entre o Pré e os Históricos e no fundo, não tanto, nos reservaram únicos na cadeia genética que nos traçou de Hominídeos ao que somos.

A pedra pode ser pré, mas a história nos malha no marco de que dia a dia, acesos e tesos, ficamos granitizados, fundindo-se no DNA evolutivo que nos faz barro, tronco e membros, tesos na sexta que lasca, verga, mas não quebra!

Uga uga! Sois Sapiens, não apague a fogueira, deixe a brasa acesa, pois a semana está acabando e o fogo… Precisará dele mais tarde.

29 jan. 10


Candelabros

janeiro 28, 2010

A noite é de velas, que ilumina o espaço, a mesma que ilumina o caminho, enfeita a mesa e acende a alma, e outras idéias. Tremulando  na sombra e imaginário acaricia as formas que sobre os lençóis se encontram, traçando linhas  nos corpos unidos. Essa é a luz que vela o sono dos amantes, que veste o manto que nos carrega rumo a fantasia que nos torna unidos, como a chama que aquece a alma e corpos nus, que arranha a carne que se entrega e amacia, antes dos beijos apaixonados e o que ainda tenha por vir.

Mesa que sorve as delicia que se transportam e tomam imaginário, que mordisca a orelha e deixa tesa a paixão ardente do corpo quente.

Doce alegria, que se perpetua, instantes que se intensificam na pele nua, como enfeites que se entrelaçam no candelabro que apóia a vela que nos faz guiar, nas formas claras do amor.

Jo@lves


Sombra na janela

janeiro 21, 2010

Cá estou a te fitar,
Na janela aberta ao luar
Que me mira e me tira,
O sono que tenho de estar

Há de te ver, sombra
Na janela que te reflete
Na figura que a mente molda
O corpo desnudo que remete

Não tem nome o semblante
Ao qual vejo de relance
Entre frestas bruxuleantes
Cujas mãos, fora de meu alcance

Durmo o sonho perturbado
Em descobrir quem tu és
No pecado oculto do outro lado
Absorto na soleira debruçado.


De sol a sal… esquindô no entardecer.

janeiro 14, 2010


Durmo na praia cujas areias, nos montes que me fazem açúcar, que a água leva rumo ao infinito, e me uno aos incontáveis grãos que me molda, nas formas inquietas que vão e voltam, na silueta que me torna duna e na praia alva que me torna lívido.

Garganta que faz grito, no pulso acelerado no compasso adrenalitico que me faz verão, no mesmo corpo que queima ao sol ao léu e me torna bronze, já que ouro é que dizem… desce pela goela abaixo que canta, espantando os males.

Anal das retilíneas que se julgam e subjugam, aos que estremecem na vontade alheia. Sou carioca, Paulista ou Mineiro, cujas raízes se perderam na mistureba que me faz Brasileiro ou estrangeiro, na mesma farofa.

Divino, nos incontáveis grãos e partículas que me torna átomo, de alma, cuja cor dizem alva, mas que na veia, pulsa um rubro vibrante, como os que traçam folhetins de sexta-feira, que anuncia esquindôs ou Shabat na esquina que me torna sal, sol e paz, e que não se acaba ao entardecer.

Assim sou, somos ou queremos, do mesmo jeito, no amanhecer de sal a sol, nos refestelar.


Além do sonho de infância. Pétalas.

janeiro 14, 2010

Ela caminhava a minha frente, passos sem pressa por entre o caminho formado de pedras e gramas, seus braços abertos acariciavam as flores que ficavam dos dois lados do caminho, o vento levantava seus cabelos e seu perfume misturava-se aos demais de flores e da alegria, se essa tem algum perfume… Eu decerto saberia distinguir.
Fui precoce na descoberta do amor, um amor adolescente, ainda imaturo, e que me remeteria a muitos encontros e desencontros, sem definições e pouca ou muita responsabilidades e as vezes, sem nomes difíceis de dar, era somente amor de infância, se não o mais puro, o mais inconseqüente, o mais forte e o mais marcante, o primeiro sempre marca . Hoje experimentava a sensação novamente como um tributo da natureza, que me brindava com o seu mais valioso presente e também enigmático, o verdadeiro e maduro amor.
Por alguns instantes fiquei parado observando-a, minha mente fotografando-a, filmava cada quadro, que pareciam intermináveis, como flashes em slow-motion.
- Venha rápido! Disse ela, parando minha filmagem mental e despertando-me, me trazendo da infância sem compromissos, ao presente do saber e querer, do bem-me-quer. Corri e em seus braços continuamos o caminho, os pés roçando pedras brancas e lisas e às vezes na grama verde, que tapeteava o caminho que parecia infinito.
Nossos risos ecoavam nas arvores e na distante montanha e nossa alegria contagiava o redor. Sentamos na soleira de nossa cabana e ficamos em silencio, observando o sol que desaparecia na montanha a nossa frente, colorindo a tarde e trazendo o frescor de um novo anoitecer. Ali percebi que a vida é simples, e que não precisa de fórmulas indecifráveis, com nomes mirabolantes para se fazer presente, seu rosto elevado no horizonte era como uma pintura e que a adolescência ainda era amor, puro e inquebrável.
Acariciei seu rosto e puxei-a para mais perto e abracei-a com força, queria perpetuar o momento que vivíamos. Levantamos e entramos na cabana, estávamos no meio do quarto abraçados e assim ficamos por alguns instantes.
- “Tenho uma surpresa para você!” ela disse. ‘“Fique aqui e só venha quando eu chamar” Disse entrando no banheiro da cabana apressada. Eu não desobedeceria àquela ordem… Não dita com aquelas palavras.
- “Pode vir! – Ela disse. E lá estava numa banheira coberta de pétalas de rosas e velas acesas coloridas. Foi ali que percebi que a natureza ainda brincava comigo e que para ela o amor não tinha definição, não cabia ali palavras.


Tres Marias

janeiro 8, 2010

Três Marias

As Marias da casa são Marias de uma vida inteira, três gerações de Marias.

Tem Maria Cecília, mãe de Maria Antonia cuja casa habitava e que dera a luz a Maria Cristina. Essa filha adolescente, na terceira geração das Marias, essa cujos impropérios, levava sempre corretivos, dando dores de cabeça as Marias Mãe e Avó, de coisas que a Avó não poderia nem sonhar, já que octogenária ficaria escandalizada e decerto diria – Essa menina é uma desonra! Ficava pensando com seus botões, onde errara na educação de Antonia, para ter nascido uma neta assim tão arredia e barulhenta. E rogava todos os dias para que a neta endireitasse.

Eis que um dia, acorda no meio da noite para tomar um copo de leite e resolve passar no quarto de Cristina, pobrezinha deve estar descoberta, e ao chegar percebe que na cama há dois pares de pés e com certeza a neta não era dona de todos eles. Dona Cecília, começa a gritar. – Maria Antonia! Corre cá. Acuda! Há um ladrão na cama de Cristina! Pega um rodo e se coloca de prontidão entre a cama e a porta do quarto e dana-se a bater na perna do estranho, que agora com os gritos e a canela batida, dá um pulo e fica de pé ao lado da cama. Outro grito de dona Cecília – Há! Ele ta pelado. Vagabundo, indecente e imoral. Ele coitado, ainda semi adormecido, puxa o cobertor da cama e enrola na cintura, com os olhos esbugalhados, começando a entender o que estava acontecendo, olhando dona Cecília com uma panela na mão e ele torcendo e rezando assustado para que não estivesse com água fervente. Era só o que faltava.

Desfeito a confusão, dona Antonia teve que dar calmantes a mãe após tentar explicar o que estava acontecendo, e é claro após uma bronca colossal em Cristina, por aquela loucura. – Vê se pode uma coisa dessas? Trazer um namorado para dentro de casa? Já fora longe demais essa menina. Dona Cecília ainda tonta, não conseguia conceber tal afronta e liberdade, em seus oitenta anos nunca vira uma cena como tal. No seu tempo, homem só dormia na casa quando casava e decentemente, pelado nunca. Achava aquilo tudo uma pouca vergonha. Ficou imaginando onde fora que errara na educação da filha?

Há! O pobre visitante, ou “ficante” como diria Maria Cristina, esse saiu correndo como um louco, apesar das desculpas e broncas de dona Antonia, e deve estar fazendo-o até agora e pensando, “Que loucas! Nem pintado de ouro quero ver essas malucas. Deixou para trás uma cueca, que só se deu conta quando parou, a tal que dona Cecília excomungou enquanto tacava fogo, tentando eximir o pecado que ali chegara e dizendo – Vixe cruzes! “Que afaste daqui esse tal”.


Ao pé da letra!

janeiro 8, 2010

Oito dias, e já são, ou ainda contáveis oito dias. Nada mais precisamos para nos fazer acreditar, e aos que já mistificaram as previsões, se fazem crédulos, assim como oráculos… Recomeçou!

E eis aqui novamente, escrita e poetizada nas linhas que perdem mundo, que refletem nas retinas que as observam e que tentam destrinchar um algo mais. Na explosão de facetas que nos colocam na rotina e nos molda na fornalha que imprime a pressão… Somos nós na fita!

O dia é sol na telha, dos tantos que ainda nos reserva o ano, e nos carrega em seus braços, e não se faz de logrado e nos poupa dos detalhes e no entalhe desse nos faz-se dele seu criado, lá vamos nós que na semana somos ramos a cada dia crescemos e frutificamos.

Mortais combalidos, na seiva que sorvemos, sussurrando aos quatro ventos o que somos nos tornamos, meros espectadores semanais, dessa vida que nos presenteia frutos. nas palavras e atos, ditas ao pé da letra, no pé do ouvido, onde renascemos cheirando a talco, alheios ao que ainda virá, mas cônscios do broto que somos. – Na boa? Como primeira muda.

E do que mais precisamos senão mais umas sextas, mais um dia, ao quais sorrisos brotam nas faces leves e no coração puro, que nos tornam ritualísticos? Mais nada!


Retrospectivas!

janeiro 1, 2010

fogos_icarai_2009_2010

No ar, explosões multicores, mar e céu na constelação que se anuncia, são as primeiras na luminescência que nos realiza. É euforia no ar.

Na contagem que antecipa, somos nós no fim de noite. A sexta se anuncia, magistral e onisciente, aos olhos dos que almejam a felicidade que ela trás.

Corações e mentes, unidos em um só pensamento, acendendo o pavio que explode no peito aberto de cada um, inundando a beleza e transbordando os sorrisos, unindo os credos, restaurando a fé e renovando as esperanças, onde quer que seja, onde quer que estejam.

Não há solitários ponteiros, o pendulo é de ouro, e nos transporta, retrospectivas nas incontáveis sextas, ano a fora, que nos levam e trazem ao que realmente somos e nos tornamos, nos dias do ano, na espinha dorsal desse mundo que nos faz vivos e humanos.

Quatro, três, dois um… A explosão é vista certa, o brilho é alegria que contagia, a emoção é amor ao lado, que suspira e se transmuta, na verdade que não se esconde, é sexta-feira, primeiro de janeiro de dois mil e dez, o ano se inicia, e o dia é Paz é sol na alegria, não há perdidos na noite que se esvai, mas uníssonos no dia que se anuncia unos, no abraço comunitário que nos torna irmãos.


A ultima folha do calendário

dezembro 30, 2009

Dezembro é verão, no sol que não desponta, mas que não desaponta os seus. Laminas cristalinas despontam do céu, entre nuvens azuis, molhando o corpo e enxarcando a alma, literalmente.

Nas mesas, ainda não existem novos calendários, mas na mente a esperança de novos itens, sonhos que se concretizem nos longos dias que virão, nas semanas que nos tornaremos reis, rainhas, principes e princesas na poesia dos contos que nos torna reais.

Há de ter poesia, nos ensaio que fazemos da vida que nos trouxe até aqui, faceiros e festeiros, no enlace que nos embala semana a fio, no pulsar étero que nos torna ferrenhos amantes do eterno existir.

Nas linhas que nos traçam, riscos e rabiscos eternas folhinhas, post´s que nos fazem itens. Hoje na sexta anunciada e antecipada, somos unos, na regressiva contagem.

Nessa sexta, não faça diferente, seja tudo e seja o todo, e ensaie a alegria de ser mais, e na poesia de seu existir, tramsmute o que tem de mais feliz e grite!!

Feliz 2010, de domingo a segunda, somos nós no amanhecer.